“Quem come a minha carne e bebe o meu sangue permanece em mim e eu nele.
Como o Pai, que vive, me enviou, e eu vivo por causa do Pai, assim aquele que me recebe como alimento viverá por causa de mim.” (Jo 6, 56-58)
Hoje, na primeira quinta-feira depois da oitava de Pentecostes, a Igreja celebra com grande alegria a Solenidade de Corpus Christi.
Corpus Christi ou em português “Corpo de Cristo” é a festa na qual meditamos com maior profundidade o mistério da presença viva e real do Corpo, Sangue, Alma e Divindade de Nosso Senhor Jesus Cristo na Santíssima Eucaristia.
A origem da Festa de Corpus Christi
Por volta de 1208, Santa Juliana de Mont Cornillon, religiosa agostiniana, começou a ter repetidas visões de Nosso Senhor durante os períodos em que ela estava em adoração ao Santíssimo.
A visão apresentava a lua no seu mais completo esplendor, com uma faixa escura que a atravessava diametralmente. O Senhor levou-a a compreender o significado daquilo que lhe tinha aparecido. A lua simbolizava a vida da Igreja na terra, a linha opaca representava, ao contrário, a ausência de uma festa litúrgica, para cuja instituição se pedia a Juliana que trabalhasse de maneira eficaz: ou seja, uma festa em que os fiéis pudessem adorar a Eucaristia para aumentar a fé, prosperar na prática das virtudes e reparar as ofensas ao Santíssimo Sacramento. […]
Durante 20 anos, Santa Juliana, guardou em segrado a revelação até se tornar priora do convento em que vivia. Depois confiou o segredo a outras duas fervorosas adoradoras da Eucaristia: Eva e Isabel.
Juliana também contou ao bispo de Liège, Dom Roberto Thorete, que instituiu a festa de Corpus Christi em sua diocese em 1246.
O Milagre de Bolsena
Depois da morte do Papa Alexandre IV, foi eleito o novo Papa, o cardeal Jacques Panteleón, que participou da primeira celebração de Corpus Christi, adotando o nome de Urbano IV.
Naquela época, a corte papal era em Orvieto, um pouco ao norte de Roma, perto da cidade de Bolsena, onde, em 1264, aconteceu o grande milagre:
Um padre alemão, chamado Pedro de Praga, parou na cidade de Bolsena durante uma viagem que fazia pelo país. A crônica geralmente o descreve como um padre piedoso, mas que tinha dificuldades para acreditar que Cristo estivesse realmente presente na Hóstia consagrada.
Enquanto celebrava a Santa Missa sobre o túmulo de Santa Cristina, mal havia ele pronunciado as palavras da consagração, quando o sangue começou a escorrer pela Hóstia consagrada, banhando o corporal, os linhos litúrgicos e também a pedra do altar, que ficaram banhados de sangue.
Impressionado, o padre correu até a cidade de Orvieto, onde morava o Papa Urbano IV, que mandou emissários para uma investigação imediata. Quando todos os fatos foram confirmados, ele ordenou ao bispo da diocese que trouxesse a Orvieto a Hóstia e o pano de linho ensanguentado. A venerada relíquia foi levada em procissão no dia 19 de junho de 1264.
A festa de Corpus Christi
Em 1264, depois das revelações de Santa Juliana, do Milagre de Bolsena e do pedido de muitos bispos, o Papa Urbano IV promulgou “Transiturus de mundo” , a primeira proclamação papal de uma nova festa universal, mas morreu antes de o documento deixar a Cúria, o que acabou por prejudicar a difusão da festa.
Com isso, seu sucessor, o Papa Clemente V, no Concílio geral de Viena, em 1311, ordenou mais uma vez a adoção da festa de Corpus Christi. Em 1317, foi promulgada uma recompilação das leis por João XXII e assim a festa foi estendida a toda a Igreja.
Como lucrar indulgência plenária na Solenidade de Corpus Christi
Neste dia de Corpus Christi a Igreja concede aos fiéis a indulgência plenária, isto ” é a remissão, diante de Deus, da pena temporal devida pelos pecados já perdoados quanto à culpa, que o fiel, devidamente disposto e em certas e determinadas condições, alcança por meio da Igreja, a qual, como dispensadora da redenção, distribui e aplica, com autoridade, o tesouro das satisfações de Cristo e dos Santos.” (Enchiridion Indulgentiarum, Normas, n°1)
Para lucrar a indulgência plenária é necessário cumprir as seguintes três descrições (necessárias para se lucrar a indulgência e todas as épocas do ano) :
1° Confissão sacramental;
2° Comunhão Eucarística;
3° Oração nas intenções do Sumo Pontífice (rezar um Pai Nosso e uma Ave-Maria);
Além disso deve-se ter total rejeição de todo o pecado, mesmo o venial.
Na Solenidade de Corpus Christi o fiél, além de cumprir as descrições citadas acima também deve recitar publicamente e devotamente, o hino Tantum Ergo (Tão sublime sacramento) e as orações seguintes.
Reze conosco a oração do “Tantum Ergo”
Tão sublime Sacramento
Adoremos neste Altar,
Pois o Antigo Testamento
Deu ao Novo seu lugar.
Venha a fé por suplemento,
Os sentidos completar.
Ao Eterno Pai cantemos,
E a Jesus, o Salvador;
Ao Espírito exaltemos,
Na Trindade, eterno Amor:
Ao Deus Uno e Trino demos
A alegria do louvor.
Amém.
S: Do céu lhes destes o Pão.
T: Que contém todo sabor.
Oremos
Deus, que neste admirável Sacramento, nos deixastes o memorial da Vossa Paixão, concedei-nos tal veneração pelos sagrados mistérios do Vosso Corpo e Vosso Sangue, que experimentamos sempre em nós a Sua eficácia redentora. Vós que viveis e reinais pelos séculos dos séculos. Amém.
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